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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Preconceito? Como assim?


Atualmente existe um novo conceito de família: a que é a tida como "normal", com pai e mãe juntos; aquela em que só existe uma mãe; outra em que só existe um pai; há também a formada por duas mães, ou dois pais, e que, nem por isso, deixa de ser um lar.

Em 2007 a revista Crescer realizou um estudo sobre casais homossexuais que desejam ter filhos. E os entrevistados na época (tô falando de apenas 3 anos atrás!!!!) preferiram esconder o nome ou não posar para fotos. Medo? Sim, do preconceito.

É fato! Estamos no terceiro milênio e ainda arraigados a preconceitos tão severos?
Existem novos núcleos familiares que merecem a proteção jurídica do Estado. Não tem volta, gente, é simples como andar para frente.

Eu, como filha do Poeta da Igualdade, hoje Embaixador da Paz em Genebra, cresci acreditando que a dificuldade da maioria das pessoas em relação a essas novas famílias vem de berço. Aprende-se que o tradicional é o certo. E isso é bobagem. Quanto mais cedo a criança for introduzida aos novos modelos de famílias, mais natural será para ela.

E as escolas têm que contribuir para amenizar o problema. O assunto tem que ser tratado com normalidade e a equipe pedagógica tem que estar preparada para solucionar eventuais crises. Ainda bem que há dirigentes de escolas com sensibilidade, que estão se adequando aos novos modelos de sociedade, e no lugar do Dia dos Pais, do Dia das Mães, criaram o Dia da Família.

Legalmente no Brasil, como vocês devem lembrar, o precedente foi aberto pela Maria Eugênia, a ex-companheira da Cássia Eller. Ela ganhou a guarda do filho biológico da cantora, Francisco (Chicão), em 2002. Mas ainda há um longo caminho a seguir.

Veja isso: uma pesquisa do Instituto Ibope dá uma pista sobre o tamanho da intolerância a ser vencida: 53% das mães brasileiras são contra a adoção de crianças por casais homossexuais. Pelo amor de Deus, o que é isso? Como pode haver um olhar desigual sobre uma criança? Como alguém pode julgar uma diferença? Ter pena? Ter preconceito?

A sociedade tem que se preparar para respeitar as adoções por casais de união homoafetiva, para que os adotados não se sintam discriminados e punidos pelo fato de terem sido acolhidos por uma família que não os excluiu. O Brasil já começa a encontrar guarida na jurisprudência que, além de reconhecer a família formada por par do mesmo sexo, tem decidido, ainda que timidamente, pela adoção de menores por dois homens ou duas mulheres que convivem afetivamente nos moldes da união estável.

Os casais homossexuais, diante da impossibilidade biológica de gerarem filhos entre si, recorrem à adoção como meio de realizar o desejo da maternidade ou da paternidade afetiva. E aí entra a minha história, que começou há tempos atrás, quando, em 1980, conheci uma menininha linda chamada Moira, filha do meu atual marido. A Moira cresceu super bem, antenada, politicamente muito ativa, estudiosa, brilhante. E conheceu a Raquel, também uma mulher muito preparada. E formaram um casal de mulheres adultas, com excelente nível intelectual, prontas para enfrentar o mundo e os preconceitos pobres da sociedade.

Tiveram, as duas, a coragem de trazer para este mundo um filho. Mas resolveram que fosse do próprio ventre. Escolheram não perder este milagre divino da vida de uma mulher. E chamaram um grande amigo para a inseminação artificial. A Raquel engravidou, a família e os amigos entenderam, e quem não entendeu de cara aprendeu a respeitar os limites dos outros, aprendeu a amar a escolha do outro, a exercer a compreensão que deve reger a vida.

E, enfim chegou o Martim! Nasceu ontem, 23 de agosto, em São Paulo, às 21h41. Lindo, forte, com 3,4 Kg e muito, muito amor.

Será fácil pra ele? Para elas? Claro que não! O mundo ainda é o mundo. Mas a gente tem que tentar fazer dele um mundo melhor.

Bem-vindo, Martim, seja muito feliz neste mundo difícil, mas que trará as possibilidades de abrir caminhos para uma nova geração de jovens mais humanos e preparados. Você é um deles, Martim.

Façamos a nossa parte?

Beijos.